Certo homem dormia na sua cabana quando, de repente, uma luz invade a escuridão do seu quarto e aparece Deus para falar com ele.
O Senhor tinha uma tarefa para ele cumprir, mostrou-lhe uma rocha enorme que se encontrava em frente à sua cabana e explicou-lhe que deveria empurrar aquela rocha com todas as suas forças.
O homem assim fez, dia após dia, mês após mês, ano após ano… empregava todas as suas forças a empurrar a rocha fria, regressava à cabana cansado, queimado do sol e dorido do esforço mas sem que a rocha se tivesse movido um só centímetro que fosse.
O homem começou então a sentir-se frustrado, tinha acatado as instruções que Deus lhe dera e, tanto anos passados, ainda estava na estaca zero. Teria Deus querido apenas zombar dele?
Uma pedra tão grande era impossível de mover, ainda por cima por apenas um homem.
Tinha dedicado tanto esforço e tempo da sua vida a tentar cumprir uma tarefa impossível, estava prestes a desistir… Sim! Estava decidido, ia desistir de tamanha tarefa.
Antes de o fazer, porém, decidiu falar com Deus, explicar-lhe a sua decisão e pedir explicações por tamanha tarefa que lhe tinha sido imposta.
Dirigindo-se a Deus questionou-o a cerca das suas razões:
“Senhor, dediquei tantos anos e esforços a tentar cumprir a tua vontade, mas a rocha não se moveu nem um milímetro, qual a razão do meu fracasso? Porque me pediste tal coisa?”
Meu filho – respondeu Deus – quando te pedi que Me servisses tu aceitaste. Disse-te que a tarefa era a de empurrar a rocha e tu nem hesitaste um momento sequer.
Nunca te disse que o objectivo era o de a mover. Apenas te pedi que a empurrasses.
Agora vens diante de mim dizer que fracassaste? Que desistes?
Meu filho, olha para ti, vê como o teu corpo cresceu e ganhou músculo, como tens a pele bronzeada do sol e as mãos calejadas… Apesar das dificuldades por que passaste tu estás forte e saudável.
Claro que não moveste a rocha, mas o objectivo era de mostrar a tua obediência e fé em mim. Isso conseguiste-o! Agora meu amigo, Eu moverei a rocha.
Por vezes, quando escutamos a Palavra de Deus, queremos compreendê-la no seu todo, descobrir o seu sentido, avaliar se vale ou não a pena a decisão que tomamos. Mas, na verdade, o que Deus nos pede é que confiemos Nele, que O sigamos e obedeçamos, nada mais.
A fé move montanhas, mesmo se, no fim, quem as move seja Ele.
Autor desconhecido
Saramago gosta de uma polémica. Está-lhe no sangue. E está no seu direito. As declarações polémicas foram, agora, proferidas a propósito do lançamento mundial de ‘Caim’, o novo livro do Nobel português. (ver aqui)
A dúvida está no ‘timing’ escolhido. Há quem lhe aponte o oportunismo do marketing que, para fazer o milagre da multiplicação da venda de exemplares deste novo livro, acabadinho de sair, nada melhor que fazer falar dele e do seu autor. A fórmula publicitária está comprovada e funciona. Bem ou mal, mas falem de mim!
Entre outras coisas, diz ele que “a Bíblia é um manual de maus costumes e o pior da natureza humana”.
Não sabe Saramago que a Bíblia tem tudo o que a natureza humana tem, sem tirar nem por? É a condição humana nas suas tensões, na sua verdade.
Na Bíblia está o ser humano tal como Ele é. E é com esse ser humano que Deus vai fazer caminho. Deus é autor da Sagrada Escritura, mas o homem também é. Ali estão as histórias reais da vida de um povo, aliás, de muitos povos. É um livro que atravessa milénios, acompanhando a própria história da humanidade, tal como ela é: nua e crua, sem o “Photoshop” de uma mão, a esticar aqui, a retocar ali, a corrigir acolá, como faz Saramago com os seus livros, antes de os publicar.
Por outro lado, parece-me que o autor de livros como ‘Memorial do Convento’ tem pouca legitimidade, ou mesmo credibilidade, para falar de religião. Ou talvez tenha a mesma que tenho eu para falar da complexidade do processo da procriação assistida. Nenhuma, ou quase!
Caro Saramago, não queria terminar este texto sem lhe oferecer, tirado desse livro “de maus costumes” apenas uma belíssima página: as Bem Aventuranças, do evangelho de Mateus. (Mt. 5, 3-12). Se não for muito pedir, leia, em especial, e com coração disponível, o versículo 8: ‘Felizes os puros de coração, porque verão a Deus’.
Albino Brás
20 de Outubro de 1996. Já lá vão 13 anos. Muito tempo no calendário. Pouco tempo na minha vida. Parece que foi ontem. Foi na Igreja da minha freguesia, em Pussos (Alvaiázere). Naquele dia, um templo sem bancos, para caber mais gente. E teria sido necessária outra igual! Era mesmo muita gente! De Madrid, da paróquia Nsa Sra de las Fuentes, veio um autocarro cheio, na maioria de jovens.. Como estudante de teologia ali realizei a minha actividade pastoral. E ali fui ordenado diácono. Uma comunidade fantástica com um pároco - o P. Eusébio - que muito me acompanhou.
A Missão é de Deus. E a Ele, fonte de todo o Amor, só tenho a agradecer. Colocou a sua confiança em mim. Tentei resistir. Ele venceu. Obrigado por insistir!
Fiz-me Missionário da Consolata. Enviado a consolar sem fronteiras. Chamado a abrir horizontes. Os horizontes do evangelho.
Do Deus da vida tenho recebido forças para superar as minhas dúvidas ou, pelo menos, encontrar-lhes um sentido. Ele fortalece-me nas fraquezas, nas fragilidades.
Obrigado, Senhor, porque sempre estás presente, acompanhas, levantas do chão. Tantas vezes sinto o teu “Levanta-te e anda”; “Vai e põe-te a caminho!”
Neste Ano Sacerdotal, agradeço pelo dom do sacerdócio. E uma coisa só Te peço, oh Deus: ajuda-me a perseverar na tentativa de me recriar em cada dia, como servo Teu, ao serviço do evangelho da Consolação. Onde quer que me encontre. Ámen.
Albino Brás