quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CEM em exercícios de auto-conhecimento

Se frequentas o Consolata.pt, por certo que já leste um artigo acerca de uns "Treinos de Lançamento", o tema do mais recente conjunto de Encontros promovidos no Centro de Espiritualidade e Missão (CEM) dos Missionários da Consolata em Águas Santas.

Estamos aqui a falar neles porque estes Encontros destinam-se a ti, se tens mais de 18 anos e moras perto de Águas Santas, Maia, podes inscrever-te num "curso" de auto-conhecimento. O objectivo é, partido de ti mesmo, conhecendo-te a ti próprio, aprender a canalizar as tuas forças e energias para a missão...

Informa-te AQUI, inscreve-te e promove-te como Pessoa!

CJovem

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

“A liberdade é muito cara”

Nos nossos dias é cada vez mais frequente depararmo-nos com pessoas que passam por dificuldades, pessoas que há muito tempo deixaram de saber o que é viver e passaram apenas a conhecer o que é sobreviver.

Seres humanos que devido a atrocidades da vida passaram a ser Ninguém e começaram a navegar na poesia diária que se constrói por necessidade e não por amor.
Foi num contexto de pobreza que, no último encontro do JMC, no Centro missionário A
llamano, em Fátima, recebemos Henrique e duas testemunhas da frieza das ruas, Helena e António. Tudo isto para despertar em nós a consciência de que neste mundo, aparentemente cor-de-rosa, existem pessoas a sofrer e a tentar singrar em caminhos ingratos.

“O que sou, devo-o à Consolata!”. Assim começou Henrique que leccionando na Universidade Lusófona de Lisboa, não esquece todos aqueles que o ajudaram a crescer e a tornar-se a pessoa que é hoje porque a Consolata ainda está no que escreve. Sempre viveu desassossegado e considera o desassossego a sua doença porque é ele que o consome. Foi com este espírito inquieto que chegou à “Cais”, uma revista que, segundo ele, “é uma estratégia porque não é ela que ajuda as pessoas, mas é sim a força de vontade e a energia de cada um”.

A “Cais” já conseguiu resgatar muitas pessoas da pobreza e ajudou-as a chegar a um porto seguro. Testemunhas disso são Helena e António cuja vida não os premiou com a sorte que todos desejamos.

Helena nasceu em Moçambique, em Agosto de 1957 e sempre gostou da arte e da pintura. “Eu queria nascer e morrer como artista, mas não tenho sapiência para isso”, é uma frase que repete diariamente e que demonstra a sua paixão pelo mundo do belo. A situação que vive deve-se ao facto de ter trocado o dinheiro pela liberdade e como a própria defende “a liberdade é muito cara”. Foi através da “Cais” que encontrou um pilar para a sua vida e que deixou as calçadas frias e esgotadas das ruas, deixou o seu tecto estrelado para passar a ter um quarto onde reza, todos os dias, para agradecer toda a ajuda que até aqui lhe foi dada. Ao longo dos dias vai pintando e vai-se aproximando cada vez mais da artista que gostaria de ser e que gostaria de ser lembrada.

António recomeçou uma nova vida depois de ter chegado à “Cais” porque antes disso, devido à bebida, estragou tudo aquilo que ela lhe tinha dado. “A minha família não me ligava por causa da bebida, agora, já se dão bem comigo. Os meus filhos, que falavam para mim como se eu fosse um cão, já me tratam de maneira diferente. A “Cais” fez de mim uma nova pessoa e estou-lhe muito grato por isso”. As histórias que já passou a vender a revista, as pessoas que já teve a oportunidade de ajudar para retribuir toda a ajuda que lhe deram, fazem com que se sinta cada vez mais útil e satisfeito com a vida que até então não tinha sido nada fácil. Actualmente, pode-se orgulhar de já não beber, acto que concretizava desde os seus nove anos de idade e satisfeito garante que “se não fosse a “Cais” não era nada”.

São os testemunhos de pessoas como estas que fazem com que o voluntariado se torne a actividade mais remunerada de todas. “Helena e António são pessoas mais ricas do que todos nós porque já viveram altos e baixos na vida e são estes momentos que enriquecem uma pessoa”, garante Henrique. Todas estas pessoas dão a força que é necessária para que uma actividade como esta continue.

Chegada ao fim de mais uma formação nas nossas vidas podemos ter a certeza de que existem muitas pessoas que passam por dificuldades. Não se tratou apenas de uma formação teórica mas tratou-se sim de uma formação prática em que fomos consciencializados por pessoas que viveram situações de grandes atrocidades.

Como sublinha a fadista Mariza “há coisas que ficam na história, na história da gente” e é por isso que vale a pena Viver.

Flávia Duarte - JMC

O muro de Berlim e outros muros

28 anos após a sua construção, o muro caiu. Ou melhor, foi derrubado. Não por vontade própria, pois uma estrutura não tem emoções nem sentimentos, mas porque o clamor popular e, sobretudo, o sentido da História, assim o quis. Nem mais um dia de vida para o ‘Muro da vergonha’. E assim foi. Faz hoje 20 anos: a 9 de Novembro de 1989, caiu o muro de Berlim.

Durante décadas separou famílias inteiras, uma cidade (Berlim) e um país em duas partes. Mais! Era o símbolo do mundo dividido em dois, representando dois sistemas com forte carga politica e ideológica. Um livre e outro, amordaçado. Era, portanto, um muro físico, geográfico, mas também simbólico. Era o símbolo da guerra fria.
Ainda que enquanto o muro existiu cerca de centena e meia de pessoas tenham perdido a vida, pelo simples ‘delito’ de tentarem a liberdade, sendo cobardemente assassinadas, no dia em que o muro caiu aconteceu tudo de uma forma pacifica, sem um tiro nem derramamento de sangue. Um milagre, que nos transporta, na memória, para outras 'revoluções'.

Muitos dos jovens que agora nos lêem ainda não tinham nascido. Agora, num mundo completamente diferente, podem saber de tudo a propósito do antes, durante e depois desse feliz dia 9 de Novembro de 1989. Hoje, a net aproxima-nos e traz-nos toda a informação – e de todo o lado – a casa. E é por isso que hoje sabemos da existência de tantos outros muros.
Vamos só ver alguns que já existem ou estão a ser construídos por esse mundo afora.

México - Estados unidos
Cisjordânia
Rio de Janeiro

Além desses (estruturas físicas), existem todos os outros: virtuais, invisíveis, metafóricos. Mas todos eles separam. Quais os muros que identificas ainda no mundo de hoje e que gostarias de fossem derrubados? E , já agora, o que fazes ou podes fazer no dia-a-dia para que isso aconteça?

A. Brás