quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“Prá comunhão dividia uma banana em fatias finas e repartia”

Identikit de uma vocação (parte 3)











Caros amigos leitores do CJovem, antes de tudo, quero-vos agradecer pelos comentários feitos e pelo entusiasmo que transmitem-me para que eu continue a contar minha história de vida e missão. A todos vocês, meu muito obrigado.

Aqui estou para dar continuidade à partilha do meu testemunho. Hoje, conto-vos como foi e como vivi minha adolescência.

Caminhar 2 horas para ir a missa

Aos 5 anos meus pais colocaram-me na escola; na verdade não era bem uma escola, mas sim, uma casa que se fazia passar por escola: Contactaram uma professora particular para iniciar-me nos ofícios da aprendizagem formal, coloquial. Só depois é que fui para a Escola Pública. Lembro-me bem daquele tempo, daquela aldeia, daquela gente, simples mas, generosa, humilde, porém bondosa. Nunca vi ninguém viver tão feliz, como eu, naquele pequeno sitio.

Meus pais sempre foram muito religiosos, sempre iam a missa quando podiam, apesar da distância. Eles tinham que caminhar mais de uma hora a pé para chegar a capela mais próxima e poder participar na missa. E eu, sendo o filho mais novo, nem assim me poupava, também ia junto com eles à missa na comunidade. Eu sei que não entendia nada do que se dizia na missa, mas gostava dos ritmos dos cânticos e da alegria nos rostos dos participantes.

Catequista aos 11 anos

E, assim, fui crescendo. Em um ambiente familiar pobre de bens matérias, porém, rico e fecundo em afecto, atenção e amor. Éramos uma família, penso eu, abençoada por Deus. Vivíamos, ou melhor, sobrevivíamos. (No Brasil tem um ditado popular que diz “pobre não vive, sobrevive, luta para viver”). A nossa fonte de renda provinha praticamente da agricultura e da pecuária. Criávamos cabras, galinhas e outros. Mesmo nesse ambiente, nunca nos faltou o essencial, o básico para vivermos. E éramos tão felizes!

Colocaram-me na catequese aos 7 ou 8 anos, não lembro-me bem, o que lembro é que aos 11 anos, antes mesmo de fazer a primeira comunhão, eu já ensinava catecismo para outras crianças menores. Uma coisa é certa, eu gostava muito de ajudar e de ser útil às pessoas.

Brincar de missa

Uma das coisas que guardo na memória de quando era criança, é de ter brincado de celebrar missa. Sei que vocês devem ter brincado de médico, não é mesmo? Agora conto-vos no que consistia essa brincadeira. Eu convidava outras crianças, meus amigos, para participarem da missa, colocava-as sentadas no chão, enquanto eu fazia o papel do padre e celebrava para eles. Eu memorizava algumas palavras que dizia o padre na missa e transmitia-as do meu jeito, porém, a eles tocava responder adequadamente. Assim improvisávamos uma missa. Para a comunhão, eu dividia uma banana em fatias finas e repartia com eles. O vestido de minha mãe, substituía a alva, e assim era a nossa missa. Ao fim cantávamos e agradecíamos a Deus pelo dom da vida. Que saudades daquele tempo, da simplicidade de uma infância ingénua, humilde, mas cheia de fé e de vida.
(continua)

João Batista

Menino estás à janela...

Não é iniciativa oficial da Igreja nem de Espanha nem de Portugal. A ideia surgiu entre nós no Facebook. E propõe uma operação simples: colocar na janela ou na varanda um pequeno estandarte vermelho com a imagem do Menino Jesus. Apenas isso, na época do Natal. Para dar visibilidade ao Menino de Belém que anda substituído por tantos símbolos que nada são e nada dizem a não ser que há abundância de quinquilharias à venda em esquina próxima.

Não é de agora esta mistura do Natal com o comércio. Até se pode compreender, como se entende a proximidade de lojas junto dos santuários e que isso constitua uma oportunidade de as pessoas terem as suas lembranças e de quem vive do comércio possa recompor-se de eras difíceis como a que atravessamos.

Mas parece que de há uns anos a esta parte o problema tem outros contornos: algum silenciamento programático, ideológico, do religioso no espaço público. Empurrando-o exclusivamente para o privado e o individual, riscando-o mesmo da história. Os suíços acabam de referendar a proibição de construir no território minaretes (torres de mesquitas). Os crucifixos receberam ordem de expulsão dos lugares públicos, foi chumbada, no início, a referência ao cristianismo na “Constituição Europeia”.

Este é um excerto de uma notícia publicada na Ecclesia da autoria do cónego António Rego e que podem continuar a ler AQUI.

CJovem

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Crianças e HIV: o elo mais fraco


África... pobres... crianças: o elo mais fraco do flagelo da HIV/SIDA

Acesso Universal aos direitos humanos” é o tema do Dia Mundial de Luta contra a SIDA” que hoje se celebra em todo o mundo.

Os pobres, sobretudo os que vivem no continente africano são quem paga a factura mais alta da pandemia da Sida, nas suas causas e consequências.

O presidente da Caritas Internacional, o Cardeal hondurenho Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, pediu mesmo que o mundo actue imediatamente de modo a prevenir a morte das crianças afectadas pelo HIV nos países mais pobres.

A página da Caritas dá conta que metade das crianças infectadas pelo HIV morrem antes de terem cumprido os 2 anos de idade. O facto de viverem em países pobres, nos quais o acesso aos tratamentos adequados é muito limitado é o que explica esta grave situação.

As estatísticas dão conta de que 370 mil crianças menores de 15 anos contraem anualmente o HIV. A quase totalidade destas infecções acontece através da transmissão mãe-filho. A maior percentagem destas transmissões, 90%, é atribuída à África.

Infelizmente, os critérios nem sempre colocam o ser humano em primeiro lugar, mas o lucro. “Exortamos os governos, indústrias farmacêuticas e a comunidade internacional a que garantam que as crianças tenham o acesso oportuno aos tratamentos do HIV e da tuberculose”, afirmou o cardeal hondurenho.

Há numerosas organizações de solidariedade e ajuda humanitária que, no seio da Igreja Católica, continuam a trabalhar no terreno, a todos os níveis, para ajudar a debelar este drama sanitário e social. Os Missionários da Consolata têm várias casas de acolhimento para infectados pelo HIV e enfermos de Sida, sobretudo no Brasil e alguns países da África.

A evangelização, quando anda de braço dado com a promoção humana, a justiça e a paz, e a defesa da vida e da dignidade humana, leva a vivência do evangelho e a realização do Reino de Deus à sua plenitude.

Albino Brás