terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Programa da visita do Papa a Portugal

Como todos sabem, o papa Bento XVI visita Portugal no próximo ano, o programa da visita já foi publicado, aqui vos deixamos os pontos altos desta deslocação:

Lisboa
A visita começa no dia 11, com chegada marcada para as 11h00 de Lisboa, no aeroporto da Portela. Após cerimónia de boas vindas, no Mosteiro dos Jerónimos, Às 12h45, tem lugar uma visita de cortesia a Cavaco Silva, no Palácio de Belém, pelas 13h30. Às 18h15 inicia-se a celebração da Missa, em local ainda a designar, embora D. Carlos Azevedo tenha admitido que o Terreiro do Paço como hipótese, porque há “vários aspectos a serem analisados”.

No dia 12, Bento XVI reunir-se-á com figuras da cultura portuguesa, no Centro Cultural de Belém (10h00), e, ao meio-dia, receberá, na Nunciatura Apostólica, o Primeiro-Ministro.

Fátima
A partida para Fátima, em helicóptero, está marcada para as 16h40. A chegada à Capelinha das Aparições acontece pelas 17h30, seguida de uma celebração com padres, religiosos, seminaristas e diáconos na igreja da Santíssima Trindade (18h00). A recitação do Rosário e a Procissão das Velas, às 21h30, será presidida pelo Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano.
No dia 13, pelas 10h00, o Papa preside à Missa. No final da cerimónia, Bento XVI visitará em privado o túmulo dos três Videntes de Fátima.
Depois do almoço com os Bispos de Portugal, o Papa tem um encontro com os membros de "organizações da Pastoral Social”, católicos ou não, às 17h00, na igreja da Santíssima Trindade, seguido de uma reunião com os Bispos do nosso país, às 18h45, na Casa de Nossa Senhora do Carmo.

Porto
Para além da Peregrinação Internacional Aniversária de Maio, em Fátima, o Papa marca presença na “Missão 2010”, promovida pela Diocese do Porto. A chegada ao heliporto da Serra do Pilar, em Gaia, acontecerá pelas 09h00, seguindo Bento XVI para a Avenida dos Aliados, onde preside à Missa, às 10h15.

A despedida de Portugal acontece pelas 13h30, no Aeroporto Internacional do Porto, com uma breve cerimónia. O regresso a Roma está marcado para as 14h00.

Fonte: Ecclesia

José Pedro Faustino

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Planeta está em Copenhaga





Começa hoje uma maratona que vai durar 14 dias. Muito, não é? Mas talvez não o suficiente para salvar o planeta das consequências do aquecimento global. E é disso que se trata. Isto é sério, muito sério!

Os olhos do mundo viram-se para Copenhaga (Holanda) onde decorre desde hoje, dia 7 até 18 de Dezembro, a cimeira do clima. Ali vão estar presentes 1200 delegados de 192 países. Para problemas globais, reuniões globais.

O mundo deposita as suas esperanças nos resultados desta cimeira. E não é para menos! Um editorial partilhado hoje mesmo por 56 jornais de 44 países – entre os quais está o português Público - dão o tom deste clamor mundial que quiseram transformar, nesta iniciativa conjunta, numa “voz comum”. E fazem-no, afirmam, porque “a Humanidade enfrenta uma terrível emergência.”

Há quem acuse os que mais falam do tema de fomentarem alarmismo e de haver oportunismos políticos e económicos nos diversos relatórios que tem vindo a lume nos últimos anos sobre alterações climáticas, aquecimento global, efeito estufa, desflorestação, buraco na camada do ozono… A “Verdade Inconveniente” de Al Gore, que venceu o prémio Nobel em 2007, foi contestado por basear-se, segundo dizem, em dados manipulados. Ou seja, temos todos os ingredientes para sairmos disto mais confundidos que esclarecidos. Contudo, o tema está aí e continuará a encher capas de jornais, pelo menos nos próximos dias.

Nós, que estamos deste lado, ficamos a torcer para que saia luz desta cimeira e, sobretudo, que possam tomar decisões concretas que impliquem os mais ricos, os mais poluidores. Caso contrário, continuamos no de sempre: os pobres, os mais pobres deste mundo, que são os que menos consomem, os que têm menor acesso à riqueza e aos recursos do planeta, os que menos poluem, é quem vai pagar, uma vez mais, o pato!

Que seja a cimeira da justiça e não apenas mais uma fogueira de vaidades onde se encontram os grandes deste mundo, com belas declarações politicas, mas vazias de compromissos presentes e futuros.

A propósito lançamos uma nova sondagem

Vai à coluna da direita do blogue e vota. Deixa aqui a tua opinião nos comentários. Diz-nos o que fazes, no teu dia-a-dia para evitar os problemas ecológicos e médio ambientais. De como esta problemática te ocupa e te preocupa, etc.

E agora a sondagem (publicada entre 7 Dez e 12 Dez 09):

Como vês a problemática do Aquecimento Global?
Com grande preocupação70%(22 votos)
Com alguma preocupação22%(7 votos)
É puro alarmismo6%(2 votos)
Esse tema passa-me ao lado0%(0 votos)
Votos apurados: 31


CJovem

sábado, 5 de dezembro de 2009

Mundo de loucos

Olá a todos. Quero, em primeiro lugar, louvar a iniciativa da “carta a um missionário”, pois como missionário é sempre bom saber que há muita gente que, de perto ou de longe, partilha a nossa missão com interesse e entusiasmo.

Assim, gostaria de responder a esta iniciativa através da partilha de uma experiência ligada ao meu trabalho aqui na Coreia do Sul. Para quem não sabe ou não se lembra, a minha principal actividade missionária aqui na Coreia do Sul é a de editor da nossa revista missionária, chamada “Consolata”. Na edição de Janeiro-Fevereiro 2010 da nossa revista, será publicado um artigo sobre um missionário norte-americano que trabalha há vários anos no Haiti.

Eu sabia que o Haiti é um país pobre, com imensos problemas políticos, económicos e sociais, mas fiquei sem palavras ao ler o artigo, que encontrei numa nossa revista italiana. Nunca pensei que o povo Haitiano vivesse em semelhante situação de miséria, tristeza e desespero.

Traduzo e transcrevo somente uma das frases mais chocantes do artigo: “De acordo com estatísticas oficiais, 40% da população não tem acesso a água limpa e potável, nem a sistemas de esgotos.”

O artigo refere que uma das causas desta situação é, como não podia deixar de ser, a corrupção. Mas estejam descansados que não falarei de política, mas sim do absurdo que é o mundo em que vivemos. É mesmo um “mundo de loucos”. Sim, porque para contrastar este artigo sobre o Haiti, há dias li uma notícia na secção “Gentes” do jornal espanhol Elmundo.es, que me deixou boquiaberto.

A notícia referia-se a uma festa de anos de um conhecido rapper e produtor de música norte-americano, P. Diddy. Como a língua espanhola é, para nós “tugas”, de fácil compreensão, deixo-vos parte do texto original:

“Es uno de los raperos más reconocidos internacionalmente y, por supuesto, uno de los más ricos. Si para un mortal gastarse más de dos millones de euros en una fiesta de cumpleaños es una completa locura, para P. Diddy es una realidad. Claro, que su fortuna se calcula en 230 millones. Sean Combs, el verdadero nombre de P. Diddy, pagó esa cantidad por el fiestón de su 40 cumpleaños, celebrado el pasado jueves en el Hotel Plaza de Nueva York y al que acudieron 500 personas. Las flores, orquídeas, supusieron nada menos que 20.000 euros del presupuesto. Algunos, desde luego, no saben lo que significa la palabra crisis.”

Pois bem, gastar mais de 2 milhões numa festa com 500 convidados é, como diz o autor, “uma loucura completa”. Certo, dado que o P. Diddy é multimilionário, pode muito bem dar-se a esse luxo. Sem querer estar a fazer juízos de valor, gostaria só de chamar à atenção para a contradição que existe entre estas duas realidades. Não haja dúvida que vivemos num mundo louco, num mundo que cada vez mais separa quem tem muito de quem pouco ou nada tem.

Um mundo onde as causas da miséria, da violência, da discriminação, do ódio, de tudo o que torna o ser humano “pior que um bicho” são todas causadas pelo ser humano. Sim, porque há muita gente que culpa Deus ou diz que “é destino”, quando elas próprias são causa do sofrimento de alguém. Falo por mim próprio, não porque culpo Deus e porque não acredito em destino, mas sim porque é sempre fácil atribuir a culpa aos outros. Temos todos algo de louco em nós e, para que a cura seja efectiva, há primeiro que identificar a loucura, assumindo-a com humildade e vontade de a curar.

O remédio?

É simples e eficaz: amor. Recordemos a frase “faz aos outros o que queres que te façam a ti”. Dizia Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres”. Voltando aos milhões que o P. Diddy esbanjou, perguntemo-nos: “E eu? Que desperdiço eu? Que poderia eu fazer pelos outros e não faço por preguiça, por mesquinhez, por ser hipócrita?” Os meus “milhões” são os dons que Deus colocou no coração de cada um de nós.

A nossa sociedade “louca” precisa deles, mas primeiro devemos curar-nos da “loucura” e não só preocuparmo-nos com a gripe A. “Que tem a gripe A a ver com o assunto?”, perguntarão vocês. Tem neste caso: Porque aqui na Coreia houve, em Outubro passado, um congresso internacional sobre suicídio. Um dos participantes falou dias depois ao jornal “The Korea Herald” e dizia-se admirado pela quantidade de folhetos, cartazes e avisos relativos à gripe A, enquanto que sobre a prevenção e assistência a pessoas propensas ao suicídio… nem um folheto sequer.

Sim, porque o suicídio mata, em média, 30 pessoas por dia aqui na Coreia do Sul.
Certo, não podemos mudar o mundo de um dia para o outro, mas podemos mudar o mundo que nos rodeia. E não nos esqueçamos de que quem ama, quem dedica a sua vida aos outros, quem se preocupa pela felicidade dos outros é também considerado “louco” por muitos, tal como Cristo foi considerado “louco” pelos seus próprios familiares e amigos.

O nosso mundo precisa desesperadamente desta “loucura saudável” do amor. Amor que passa também, por exemplo, pelo respeito e defesa da natureza, pela defesa dos direitos humanos, pela luta por uma sociedade mais solidária e tolerante, etc. Como missionários, temos a obrigação de pôr em prática o amor que Cristo colocou no nosso coração, senão muitos continuarão, por exemplo, a celebrar o Natal que se aproxima sem se darem conta do sentido original desta festa.

Despeço-me com votos de um santo Advento…

Vosso irmão missionário
p. Álvaro Pacheco IMC