É hora de mudar
É tempo de orar.
Mudam-se os tempos
mas a vontade permanece.
Mudam-se as vontades
mas o tempo que passa
não muda!
É hora de mudar
o que sempre quisemos mudar
deixar para trás o que é mau,
trocá-lo por um novo bem.
É hora de mudar
porque o mundo já não ora
e não pára para ver
nem para pensar
na falta que faz
...orar.
É hora de mudar
a falta que a hora faz
neste tempo que a não vê passar.
...Mas passa.
E,
porque passou,
mudou... a hora!
sábado, 30 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Fonzie
Vem aí três dias sem aulas...Bom fim-de-semana prolongado!
Deixamos esta proposta musical... ao som dos Fonzie (num tema do seu novo álbum 'Caminho')
Deixamos esta proposta musical... ao som dos Fonzie (num tema do seu novo álbum 'Caminho')
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
A crise I
Trata-se de um tema imensamente complexo, tanto que nem os economistas (supostamente os informados sobre o assunto) concordam uns com os outros. Basta reparar que tanto Francisco Louçã como Cavaco Silva são economistas e professores catedráticos de Economia, embora tenham posições políticas tão diversas em matérias económicas.A crise mais actual é chamada “da dívida soberana”, o que é dizer, da dívida pública dos Estados. Para a compreender começo por definir alguns conceitos importantes para desenvolver a questão. Assim, é importante saber o que é exactamente o tão badalado défice (das contas públicas), que é, nada mais nada menos que a diferença entre as receitas e as despesas do Estado. Este défice é normalmente definido em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), pelo que também é necessário sabermos o que é o PIB. O PIB é exactamente tudo o que é produzido num determinado país ao longo de um ano, pelos residentes nesse país, sejam eles nacionais ou estrangeiros. O défice mede-se em percentagem do PIB porque o seu valor nominal (monetário) não permite comparações entre os países. Um país grande e com um grande PIB tem obviamente um défice em termos nominais muito superior a um pequeno país.
Outro conceito importante é a dívida pública. A dívida pública é apenas e só, a soma de todos os défices ao longo de todos os anos, ou seja, o total que o Estado deve.
Existe ainda outro défice, o chamado défice da balança de transacções correntes, que é, grosso modo, a diferença entre as importações e as exportações. Existe ainda outra dívida, que é a dívida externa, que é a divida total, pública e privada, de um país ao exterior.
Também é importante termos consciência das contas do Estado. O Estado financia-se principalmente através de impostos e gasta o dinheiro em investimentos públicos, por exemplo as auto-estradas, em salários ao sector público e também em grande medida, no pagamento dos juros da dívida pública.
Ora, o nosso problema é este: o défice das contas públicas e a dívida pública portuguesa cresceram imenso ao longo dos últimos anos, atingindo níveis que, para muitos economistas, nos levam a estar perto da rotura. Porquê? Porque o Estado, para se financiar, precisa de ir aos mercados financeiros, a instituições parecidas com bancos e pedir empréstimos. Estas instituições, exactamente como a nós, quando pedimos um crédito a um banco, analisam o Estado português e chegam à conclusão que existe cada vez maior risco de este não cumprir com as suas obrigações, ou seja, de não pagar o que deve. Assim, para compensar o risco, as tais instituições financeiras aumentam os juros que pedem ao Estado português para lhe emprestarem dinheiro. Acontece que quanto mais os juros aumentarem, maior a probabilidade de o Estado entrar em bancarrota.
O nosso problema é este então. A solução apontada é: temos de reduzir o défice ao máximo e ver se, assim, a dívida pública também deixa de aumentar tanto. Para reduzir o défice, o caminho mais simples é, reduzir os gastos com salários dentro do sector público e aumentar impostos com o intuito de aumentar as receitas.
Muitos economistas argumentam que, sem estas medidas, os mercados financeiros deixam de confiar na nossa dívida e deixam de emprestar dinheiro. Se eles não emprestarem dinheiro o nosso Estado deixa de conseguir pagar os salários à função pública, deixa de pagar os serviços que as empresas lhe prestam e, em último recurso, aparece um novo jogador, o FMI. O que o FMI faz é emprestar dinheiro aos Estados em dificuldades a juros mais baixos e assim garantir o financiamento desses Estados. Mas esta ajuda no FMI não é grátis – obriga a um compromisso sério dos Estados para a consolidação das contas públicas, reduções ainda maiores dos salários, aumentos ainda maiores dos impostos, etc…
Por tudo isto é que ouvimos dizer todos os dias na TV que, apesar de ser mau, o Orçamento de Estado tem de ser aprovado, porque se não for aprovado, corremos o risco de os juros da dívida pública crescerem ainda mais e entrarmos então em bancarrota. Somos obrigados a unir-nos a esse desígnio que é a austeridade para bem do país.
Continua...
Tiago Santos
