sexta-feira, 19 de março de 2010

Meus sinceros agradecimentos aos leitores e leitoras

Identikit de uma vocação (parte 17)
O identikit chegou ao fim
Queridos leitores do Identikit, este será o ultimo capitulo da História de uma Vocação. Aproveito para despedir-me e agradecer de coração a todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para o sucesso do Identikit, através de sugestões ou comentários. Meu muito obrigado.

terça-feira, 16 de março de 2010

Missão é partir, sair do nosso próprio eu para abrir-se aos outros

Identikit de uma vocação (parte 16)
Depois que terminei a filosofia, no Brasil, fui destinado à Argentina para fazer o noviciado. 
O noviciado é um período pelo qual nós, religiosos, preparamo-nos para a primeira profissão religiosa, ou seja, onde, ao terminar, emitimos os votos de pobreza, castidade e obediência.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Experiência no seminário filosófico: Foram três anos muito intensos

Identikit de uma vocação (parte 15)

Saber unir conhecimentos e práticas
Depois que terminei o ano de propedêutico na cidade de São Paulo, tive outra vez que mudar de cidade, desta vez, fui destinado para Curitiba, que fica no sul do país, região muito bonita, porém fria.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Seminário:"Solidariedade e espírito de família"

Identikit de uma vocação (parte 14)
E agora, depois de ter entrado. Quais foram minhas impressões? 
Como já vos contei, decidi entrar no seminário com certa idade. Porém nunca é tarde para abraçar uma causa. Fazer escolhas significativas para as nossas vidas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Os colaboradores e incentivadores da minha vocação

Identikit de uma vocação (parte 13)
Depois te ter falado um pouco de como cheguei ao Rio, da minha adaptação à cidade. Hoje quero falar-vos da minha decisão de tornar-me missionário. Quem está por detrás, quem colaborou, quem me incentivou e quem confiou em mim.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Já fiz de tudo na vida (quase tudo)

Identikit de uma vocação (parte 12)
Trabalho duro (árduo) e pesado
Nesta vida já fiz um pouco de cada coisa. Meu primeiro trabalho, digamos oficial, (antes eu sempre trabalhei com meus pais, não era um trabalho duro e suado, mas como vocês sabem, eu sempre cuidei deles, de qualquer maneira era trabalho), foi em um supermercado, função: balconista.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Navegar é preciso

Identikit de uma vocação (parte 11)
Caros jovens obrigado pelos vários comentários feitos à minha poesia. Fico contente que a busca de sentido na vida seja um tema que suscita interesse a muitos jovens. O que não podemos é perdermo-nos nessa busca. A luta contínua por um mundo melhor deve ser nossa busca verdadeira. Gostei muito dos comentários recebidos. Obrigadinho.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Que coisa estou a buscar? Que coisa procuro na vida!

Identikit de uma Vocação (parte 10)

Caros leitores. Bom dia! Boa tarde ou Boa noite! Não sei o horário que ides abrir esta mensagem. Quem sabe seria melhor desejar-vos Boa semana ou Boa leitura, e não se fala mais nisso.
Então, como vocês já sabem, nesta fase de minha historia continuo na cidade do Rio de Janeiro, discernindo minha vocação, buscando entender, sobretudo, o que Deus quer de mim.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Também eu posso ser transmissor da Luz

Identikit de uma vocação (parte 9)
 
Deus chama, envia e encoraja
 
Depois que tudo terminou entre eu e a Tércia, o mundo não acabou. Decidi não entrar para o seminário em seguida, mas continuar em discernimento vocacional, para descobrir com mais clareza o que realmente Deus queria de mim.

Continuei com o meu trabalho e com minhas atividades normais. Sentia que a chama da luz de Deus que um dia, quando adolescente, tinha brilhado em meu coração, não tinha ainda sido apagada, continuava bem acesa e, agora então podia ver melhor que ela aumentava cada dia mais.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Todo suspense é desvendado

Identikit de uma vocação (parte 8)

Olá meus caros, vi que quase ninguém se atreveu a responder à pergunta anterior.
Eis a resposta: O bule é de por café e o padre é de muita fé. Entenderam?

Agora vou contar o que ficou para trás dos capítulos anteriores.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O primeiro trabalho a gente nunca esquece

Identikit de uma vocação (parte 7)

Entrada espectacular no Rio, digo Janeiro, claro.
Olá caros jovens e menos jovens, amigos e leitores do Identikit. Meu caloroso abraço.
Hoje, como havia prometido, vocês vão ficar sabendo, os pormenores de como tudo se acabou. Estou a falar do meu romance amoroso com minha namorada. Se ainda não sabeis, deveis ler os capítulos anteriores, tá bem?

sábado, 2 de janeiro de 2010

Partir em busca de realizações

Identikit de uma Vocação (Parte 6)

Caros amigos e amigas, eis-me aqui outra vez, prontinho para contar-vos mais uma parte de minha vocação missionária. Antes de tudo, queria desejar-vos um 2010 cheio de coisas significativas para todos. Viva o ano NOVO.

A triste partida
Partir em busca de realizações

Digo triste porque quase todas as partidas, deixam marcas, saudades, algumas vezes, até lágrimas. Não é? Não bastasse tudo isso, acho que minha partida, também teve momentos felizes. Só a vontade de descobrir coisas novas, já me deixava curioso, e isso era bom.

Com a esperança de conseguir trabalho e assim melhorar de vida, a fim de casar-me, decidi deixar meus pais, e a comunidade onde nasci para ir à cidade do Rio de Janeiro.
Levava na bagagem muitos sonhos e expectativas, muitas ideias e projectos de, um dia, regressar contente e realizado à minha terra natal, Paraíba. Porém, tudo isso era o meu sonho, mas Deus estava preparando outro projecto para minha vida.

Acompanhava-me também, na minha mala, a alegria das festas do nordeste, o compromisso com as causas do Reino e da Justiça e a consciência de meu papel na sociedade e na igreja, ou seja, o compromisso de lutar por um mundo melhor.

Era o ano de 1992, ano em que a igreja do Brasil, dedicava a CF (Campanha da Fraternidade) à juventude, com o lema “Juventude, caminho aberto”. Para mais informações sobre o que é a CP e o que significa, ver AQUI.

Mensagem do papa aos jovens

Em ocasião da CP, cada ano o papa escreve uma carta à Igreja Brasileira, sobre o tema proposto, e naquele ano, 1992, ele direccionava sua mensagem a nós jovens. Sentia-me iluminado por essa sede de infinito que, como mencionava o papa, só podemos encontrar em Deus. E assim descobria cada dia, que Deus fez e faz história connosco; sempre.

Eis aqui parte da sua mensagem:

«Gostaria de falar pessoalmente com cada rapaz e com cada moça desse querido Brasil, para dizer, e quase a revelar-vos, o imenso potencial de que sois portadores. Sois amantes da liberdade e do que é justo e verdadeiro; ansiais pela paz e pela solidariedade entre os homens; exigis, justamente, o respeito pelo que é digno e nobre; sonhais também realizar-vos na vida, nos estudos e na profissão e, se Deus o permitir, realizar a vocação a que fostes chamados para dar continuidade a essas santas e nobres aspirações. Mas, acima de tudo, vejo palpitar em vossos corações essa sede de infinito que só será saciada se souberdes encontrar o Deus que se fez Homem para nos redimir: esse “Jesus que nos dá a certeza de que Ele continua fazendo história connosco e de que a cruz não é o fim, mas o caminho da vitória para os que O seguem». Papa João Paulo II, (Campanha da Fraternidade, 135).

Levava também comigo a experiência de trabalhos pastorais e comunitários realizados em minha comunidade e, no coração, essa mensagem bonita e corajosa do papa fazia-me reflectir sobre muitas coisas em minha vida juvenil.


Um salmo tem muito o que nos ensinar

Na minha despedida os jovens deram-me de presente, um pequeno lenço que continha a frase do salmo, 126 (127) que diz: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”

Meus Deus, parece até mentira mas, na realidade, parece-me que tudo ia premeditando-se. Só agora sinto que o Senhor realmente foi edificando-me, guardando-me, pouco a pouco. Fazendo-me compreender, que Ele já agia na minha vida desde muito tempo. O que vocês acham?

Sobre como terminou aquele namoro, que vos contava no capítulo anterior, prometo-vos que contarei todos os detalhes no próximo capitulo. Até lá. Não percam.

João Batista

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um natal fabuloso para todos




Estimado leitor (a) do “Identikit de uma Vocação”. Esta semana, em vez da entrega de mais um capitulo do meu testemunho vocacional, aproveito a oportunidade para desejar a todos um Santo e abençoado Natal e que o ano que se aproxima traga-nos muita paz e justiça social. Que 2010 seja um ano diferente! Que todas as coisas boas venham de presente para vocês!

Como forma de agradecer a todos vocês, o apoio recebido através dos comentários à minha partilha de vida, envio-os um vídeo, que na verdade, é uma propaganda, mas que achei muito significativa. Vejam! Envio também um conto de Natal do Paulo Coelho, que pode ensinar-nos a nunca desistir dos nossos sonhos, tal como sempre tenho afirmado nas páginas do Identikit de uma vocação.

João Batista




Conto de natal
A música que vinha da casa

Como sempre fazia na véspera de Natal, o rei convidou o primeiro-ministro para um passeio. Gostava de ver como enfeitavam as ruas – mas para evitar que os súbditos exagerassem nos gastos com o objectivo de agradá-lo, os dois sempre se disfarçavam com roupas de comerciantes que vinham de terras distantes.
Caminharam pelo centro, admirando as guirlandas de luz, os pinheiros, as velas acesas nos degraus das casas, as barracas que vendiam presentes, os homens, mulheres e crianças que saiam apressados para juntar-se a seus parentes e celebrarem aquela noite em torno de uma mesa farta.
No caminho de volta, passaram pelo bairro mais pobre; ali o ambiente era completamente distinto. Nada de luzes, velas, ou o cheiro gostoso de comida pronta para ser servida. Não se via quase ninguém na rua, e como fazia todos os anos, o rei comentou com o ministro que precisava prestar mais atenção aos pobres do seu reino. O ministro acenou positivamente com a cabeça, sabendo que em breve o assunto estaria de novo esquecido, enterrado na burocracia quotidiana, aprovação de orçamentos, discussões com emissários estrangeiros.
De repente, notaram que de uma das casas mais pobres vinha o som de uma música. O barraco mal construído, com várias frestas entre as madeiras apodrecidas, permitia que vissem o que se passava lá dentro, e era uma cena completamente absurda: um velho em uma cadeira de rodas que parecia chorar, uma jovem completamente careca que dançava, e um rapaz de olhar triste que tocava um tamborim e cantava uma canção do folclore popular.
- Vou ver o que está acontecendo – disse o rei.
Bateu à porta. O jovem interrompeu a música e veio atender.
- Somos mercadores em busca de um lugar para dormir. Escutamos a música, vimos que ainda estão acordados, e gostaria de saber se podemos passar a noite aqui.
- Os senhores encontrarão abrigo em algum hotel da cidade. Infelizmente não podemos ajudá-los; apesar da música, esta casa está cheia de tristeza e sofrimento.
- E podemos saber por que?
- Por minha causa – era o velho na cadeira de rodas que falava. – Durante toda a minha vida, procurei educar meu filho para que aprendesse caligrafia, de modo a ser um dos escribas do palácio. Entretanto, os anos se passavam e as novas inscrições para o cargo jamais foram abertas. Até que esta noite tive um sonho estúpido: um anjo aparecia e me pedia para que comprasse uma taça de prata, já que o rei iria me visitar, beber um pouco, e conseguir emprego para o meu filho.
“A presença do anjo era tão convincente que resolvi seguir o que dizia. Como não temos dinheiro, minha nora foi hoje de manhã até o mercado, vendeu seus cabelos, e compramos esta taça que está ai na frente. Agora eles tentam me alegrar, cantando e dançando porque é Natal, mas é inútil”.
O rei viu a taça de prata, pediu que servissem um pouco de água porque estava com sede, e antes de partir, comentou com a família:
- Que coincidência! Hoje mesmo estivemos com o primeiro-ministro, e ele nos disse que as inscrições seriam abertas na semana que vem.
O velho acenou com a cabeça, sem acreditar muito no que ouvia, e despediu-se dos estrangeiros. Mas no dia seguinte, uma proclamação real foi lida por todas as ruas da cidade; procuravam um novo escriba para a corte. Na data marcada, o salão de audiências estava cheio de gente, ansiosa para competir por tão cobiçado cargo. O primeiro-ministro entrou, pediu que todos preparassem seus blocos e canetas:
- Eis o tema da dissertação: por que um velho homem chora, uma mulher careca dança, e um rapaz triste canta?
Um murmúrio de espanto percorreu toda a sala: ninguém sabia contar uma história como essa! Excepto um jovem com roupas humildes, em um dos cantos da sala, que abriu um largo sorriso e começou a escrever.

(baseado em um conto indiano)
Paulo Coelho

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Também já namorei

Identikit de uma vocação (parte 5)
Olá amigos e amigas. Estou eu aqui de novo para contar-lhes mais detalhes de minha vida e vocação. Hoje, conhecereis minha experiência de namoro.

Espero que estejais a acompanhar a história desde o inicio, senão não compreendereis.

Os fofoqueiros também advinham. Mas, só Deus sabe o que faz

Aos meus 16 anos, por dedicar-me sempre as coisas da igreja e da religião, todos achavam que eu tinha vocação para ser padre. Algumas pessoas da vizinhança diziam-me «tu vais ser padre, pá!» outros diziam «parece-nos que o Senhor está a chamar-te para o sacerdócio». Eu então, não dava muita importância a esses comentários. Porém, uma coisa é segura. Sempre senti-me bem, sereno, quando estava com pessoas e amigos da igreja e das pastorais com quem eu trabalhava. Minha mãe já criticava-me, por eu dedicar-me mais tempo às coisas da igreja, que às de casa.

Encontros para escutar Deus falar mas, até então, não escutava a Sua voz

Nessa época, ainda envolvido com a pastoral da juventude e os movimentos sociais de minha paróquia, decidi participar de alguns encontros vocacionais na diocese, para tentar descobrir minha vocação, para poder ver melhor o que Deus queria de mim. Fui a alguns encontros apenas, depois desisti. Mudei de ideia.

A namorada

Em um encontro diocesano de formação para agentes pastorais, onde participei, conheci uma jovem muito interessante que me fez mudar de opinião a respeito de minha vocação. Comecei a pensar em outros projectos para minha vida. Queria casar-me, ser pai, construir uma família. Lembro-me muito bem, naquela jovem, que também sonhava com o matrimónio e uma vida feliz ao meu lado. Naquele encontro começamos a dialogar e iniciamos um período de conhecimento entre nós. Noutra ocasião, fui a sua casa conhecer os seus familiares e vice-versa, e assim começamos a namorar. Isto era o ano de 1991. Tinha na época 19 anos. Uma idade muito significativa e importante para mim. Estava concluindo o estudo fundamental. E já sonhava coisas impossíveis.

A poesia

Naquela idade aprendi muitas coisas que levarei sempre comigo.
Querem saber?
Aprendi a perdoar erros quase imperdoáveis,
Aprendi a fazer coisas por impulso,
Aprendi a abraçar para proteger,
Aprendi a dar risada quando não podia, mas dava assim mesmo,
Aprendi a fazer amizades, que restam até hoje. E continuo a aprender.

Amei e fui amado.
Porém, também já fui rejeitado,
Acho que fui amado e não amei.

Aprendi a gritar e vibrar de emoção e felicidade por coisas tão banais,
Aprendi a viver de amor e fazer juras eternas,

Também aprendi por ter "quebrado a cara" algumas vezes!
Aprendi a ligar só para escutar a voz de alguém,
Aprendi que um belo sorriso faz a gente se apaixonar e faz mesmo.

Mas vivi!
E ainda vivo! Olha eu aqui.
Feliz da vida por ser missionário! E da Consolata, claro!
E hoje, a missão também passa por mim,
Pelas minhas veias, vontades e desejos,
Pelas minhas ideias.


Parece uma poesia, isso tudo, não é mesmo? E acho que vocês têm razão.

Mas, na verdade aprendi que, bom mesmo é ir a luta com determinação e ousadia.
Nunca desistir dos nossos ideais,
Abraçar a vida e vivê-la com paixão.

Por que a vida é MUITO para não vivê-la com INTENSIDADE.

O final do namoro, as consequências e, outras coisinhas mais, serão contadas detalhadamente nos próximos capítulos da IDENTIKIT DE UMA VOCAÇÃO, não percam. E até lá.

João Batista

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A vida não é feita só de ilusões. Existe verdade melhor que esta?

Identikit de uma vocação (parte 4)



Inicio a quarta parte do Identikit, com esta frase: "Não importa o quanto vivemos, e sim, como vivemos." Só agora dou-me conta que é preciso saber viver: É necessário saber que a vida não é feita de ilusões e fantasias. Mas só depende de nós darmos um sentido, querer voar alto, sonhar, projectar e idealizar até mesmo coisas impossíveis.

Adolescência sem muitos conflitos
A minha adolescência foi um período sensacional e inesquecível. Um período marcado não só pelas transformações corporais, mas também comportamentais e espirituais. Uma marca comum da maioria dos adolescentes é a necessidade de fazer parte de um grupo. Para mim não foi diferente, busquei inserir-me em diversos grupos, como: o Grupo de adolescentes da paróquia, depois, o grupo de jovens. Participava ainda das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), e além de outros movimentos sociais, como por exemplo o PT. Ajudei a fundar o PT (Partido dos Trabalhadores) o partido de Lula, juntamente com outros companheiros e companheiras, na minha cidade. Isso era o ano de 1988 e eu tinha apenas 16 anos.

Sonhar um mundo melhor
Foi nestas relações com pessoas diversas e, nas amizades conquistadas que Deus foi tecendo a minha vocação. Eu sentia a sensação de poder ser útil aos outros, gostava de fazer parte dos grupos de interesses comuns, de buscar e de lutar por justiça e igualdade social. De sonhar um mundo melhor. Confesso que não tive muitos conflitos, nem fui muito rebelde na minha adolescência. Na verdade não sobrava-me tempo para essas coisas. Porque nesse período já tinha que ser responsável pelos meus pais e também por mim, além dos grupos nos quais eu participava na paróquia que sempre colocavam-me como coordenador.

Responsável pelos pais aos 15 anos

Ao completar a maioridade, meus irmãos foram todos para o sudeste do país (Rio de Janeiro, São Paulo) para procurar trabalho e poder melhorar de vida. Eu porém, tive que ficar com meus pais, porque era o mais novo. E, sendo o filho mais novo, tornei-me responsável pelos meus pais e, depois por toda a família. Nesse período eu estudava e ajudava meus pais naquilo que eles precisavam. Fui aprendendo desde pequeno a ser responsável por mim e pela família. Foi então que aprendi que a vida não é fácil, principalmente quando se é adolescente e já cheio de responsabilidades como aquela. Acho até que passou-se rápido demais. Ah, como foi bom e agradável aquele tempo. Foi uma fase de minha vida, onde eu mesmo fabricava meus brinquedos com os amigos. Não brincava só de missas, como vocês estão a pensar. Mas de todas a brincadeiras simples e maravilhosas de adolescentes. Foi nessa época em que comecei a sonhar um mundo novo.

Como comprar uma bíblia em 10 vezes sem juros

Acreditem se quiserem. Eu comprei a minha primeira bíblia dividida em dez prestações sem juros. Lhes conto como aconteceu. Na feira pública da minha cidade, existia uma freira que vendia artigos religiosos em uma barraca. Fui ter com ela e confessei-lhe que meu sonho era possuir uma bíblia. Disse também que a finalidade de ter a bíblia era para que eu pudesse lê-la para os meus pais. Lembram que eu já vos disse que eles eram analfabetos? Pois, eles gostavam muito de ouvir as histórias da bíblia. A freira ao saber disso, vendeu-me a bíblia em várias prestações sem juros. Juro que paguei!

Até ao próximo capitulo
João Batista

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“Prá comunhão dividia uma banana em fatias finas e repartia”

Identikit de uma vocação (parte 3)











Caros amigos leitores do CJovem, antes de tudo, quero-vos agradecer pelos comentários feitos e pelo entusiasmo que transmitem-me para que eu continue a contar minha história de vida e missão. A todos vocês, meu muito obrigado.

Aqui estou para dar continuidade à partilha do meu testemunho. Hoje, conto-vos como foi e como vivi minha adolescência.

Caminhar 2 horas para ir a missa

Aos 5 anos meus pais colocaram-me na escola; na verdade não era bem uma escola, mas sim, uma casa que se fazia passar por escola: Contactaram uma professora particular para iniciar-me nos ofícios da aprendizagem formal, coloquial. Só depois é que fui para a Escola Pública. Lembro-me bem daquele tempo, daquela aldeia, daquela gente, simples mas, generosa, humilde, porém bondosa. Nunca vi ninguém viver tão feliz, como eu, naquele pequeno sitio.

Meus pais sempre foram muito religiosos, sempre iam a missa quando podiam, apesar da distância. Eles tinham que caminhar mais de uma hora a pé para chegar a capela mais próxima e poder participar na missa. E eu, sendo o filho mais novo, nem assim me poupava, também ia junto com eles à missa na comunidade. Eu sei que não entendia nada do que se dizia na missa, mas gostava dos ritmos dos cânticos e da alegria nos rostos dos participantes.

Catequista aos 11 anos

E, assim, fui crescendo. Em um ambiente familiar pobre de bens matérias, porém, rico e fecundo em afecto, atenção e amor. Éramos uma família, penso eu, abençoada por Deus. Vivíamos, ou melhor, sobrevivíamos. (No Brasil tem um ditado popular que diz “pobre não vive, sobrevive, luta para viver”). A nossa fonte de renda provinha praticamente da agricultura e da pecuária. Criávamos cabras, galinhas e outros. Mesmo nesse ambiente, nunca nos faltou o essencial, o básico para vivermos. E éramos tão felizes!

Colocaram-me na catequese aos 7 ou 8 anos, não lembro-me bem, o que lembro é que aos 11 anos, antes mesmo de fazer a primeira comunhão, eu já ensinava catecismo para outras crianças menores. Uma coisa é certa, eu gostava muito de ajudar e de ser útil às pessoas.

Brincar de missa

Uma das coisas que guardo na memória de quando era criança, é de ter brincado de celebrar missa. Sei que vocês devem ter brincado de médico, não é mesmo? Agora conto-vos no que consistia essa brincadeira. Eu convidava outras crianças, meus amigos, para participarem da missa, colocava-as sentadas no chão, enquanto eu fazia o papel do padre e celebrava para eles. Eu memorizava algumas palavras que dizia o padre na missa e transmitia-as do meu jeito, porém, a eles tocava responder adequadamente. Assim improvisávamos uma missa. Para a comunhão, eu dividia uma banana em fatias finas e repartia com eles. O vestido de minha mãe, substituía a alva, e assim era a nossa missa. Ao fim cantávamos e agradecíamos a Deus pelo dom da vida. Que saudades daquele tempo, da simplicidade de uma infância ingénua, humilde, mas cheia de fé e de vida.
(continua)

João Batista

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Identikit de uma vocação (parte 2)

A história de um testemunho vocacional continua…
Origem pobre, mas cheia de amor

Nasci em Pilõezinhos, uma pequena cidade no interior do Estado da Paraiba-Brasil, Nome engraçado o dessa cidade! Porém, não vou ficar aqui a falar sobre a cidade, porque o ‘Identikit’ tem o objectivo de comunicar-vos a história de minha vida e não de minha cidade. Se quiserem saber mais a respeito, favor entrar na wikpedia/Pilõezinhos-PB.

Rapaz e não rapariga

Minha história é engraçada. Querem saber? Então vos conto:

Sou o quinto e último filho homem de minha família. Diz minha mãe que, sempre desejou ter uma filha mulher, então, o primeiro a nascer, foi um menino; tentaram a segunda vez, veio outro menino e assim sucessivamente até nascerem quatro meninos homens. E o melhor, um a cada ano. Acho que era porque eles não tinham televisão em casa! Se bem, a televisão às vezes atrapalha, com aquelas novelas cheias de cenas eróticas. Depois de o quarto filho homem ter nascido, pararam, reflectiram e quase pensaram em desistir de haver outra criança. Até aquele momento o Senhor Deus não lhes tinha dado uma menina. Só depois de dois anos decidiram ter outro filho, e então, para surpresa de todos, nasci eu, outro menino.

Depois de mim, decidiram não ter mais filhos, fecharam as torneiras.

Mas, quis Deus, que a história de minha mãe tivesse outro rumo, e não terminasse assim tão sem alegria. Então, para o bem de todos e felicidade geral da família, adoptaram uma menina, quando eu já tinha completado 13 anos. Sendo assim, a família aumentou e minha mãe ficou muito contente com a novidade de ter uma filha em casa. Hoje, então, somos 6 filhos, cinco homens e uma rapariga. Vejam só como é a vida!

Minha mãe, Maria Francisca é mais jovem que meu pai, 17 anos, mas conta-nos que foi sempre o amor que motivou o romance dos dois, apesar da idade entre eles. Luiz Amâncio, meu pai, já se encontra com Deus. Ele partiu desta vida, quando eu estava fazendo o noviciado.

Sabiam que os dois são analfabetos? Verdade! Nunca tiveram a oportunidade de estudar. Contam-nos que tiveram que dedicar-se ao trabalho ainda quando eram muito jovens para ajudar na sobrevivência da família.

Queriam que nós, seus filhos, estudássemos, não queriam que tivéssemos a mesma experiência de vida que tiveram. Não obstante a pobreza e simplicidade com que viviam, souberam-nos educar na fé, na moral e nos caminhos do Senhor.

Incentivaram-nos viver a vida com alegria e esperança, acreditando que tudo pode mudar e que nossos caminhos fossem traçados por Deus.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um testemunho vocacional e missionário

O CJovem lançou um desafio ao João Batista, seminarista da Consolata. Contar-nos a história da sua vocação, o seu percurso. Ele, surpreendido, aceitou. Porreiro, pá! E vai fazê-lo em várias entregas, sem juros! Afinal, estando quase às portas de receber o diaconado, as etapas percorridas são já muitas. E há muito o que contar.

Sabem que mais! Ele até confessou o entusiasmo da tarefa “pensei sobre a ideia lançada e vi que seria legal escrever a historia de minha vocação. Nunca fiz isso! A ideia me parece interessante, não só para os jovens, mas também vai ser útil para mim, que só assim vou fazendo memória de tudo o que já se passou comigo”.

No próximo post, o primeiro da “Identikit de uma vocação”, ele explica a metodologia que vai seguir nesta empreitada que agora começa e, logo de seguida, traça o seu perfil e o início de tudo. Boas leituras!

E, já agora, este domingo vai fazer no Bairro do Zambujal (periferia de Lisboa) onde faz trabalho pastoral, a renovação dos votos temporários. Estão convidados!


Identikit de uma vocação (parte1)

Sem medo de ser Feliz


Queridos leitores e leitoras deste blog. A partir de hoje peço-vos permissão para invadir o vosso espaço com minha história de vida e missão. Para que esta não seja exaustiva nem cansativa, escreverei em pequenas partes, um pedacinho de cada vez. Usarei um estilo humorístico e ousado.

Gostaria de contar com os vossos comentários, críticas e sugestões, para que estes pequenos contos de vida se tornem agradáveis aos olhos e aos ouvidos dos leitores. Nessa história vai ter de tudo um pouco: amor, ódio, alegria, paixão, fé, luta, sonhos, libertação, religião e muito mais. Porém o enfoque principal será sobretudo, o desejo de ser feliz e o amor pela missão. Irei também abordar outros aspectos da minha vida, mas não quero já contar-vos tudo, vão ficar na expectativa de poder descobrir passo a passo. Garanto-vos que será emocionante. Não deixem de acompanhar. Então, hoje ouso me apresentar.

Quem sou eu?

Me chamam João Batista, sou seminarista da Consolata, nasci na Paraiba, Brasil e actualmente estou em Portugal, no Cacém, onde realizo um estágio pastoral.

Sou aquele que no dia 10 de Março nasci chorando, «acho que chorei», cresci, caí, levantei-me, machuquei-me. Meus pais fizeram-me aprender o que era certo e o que era errado. Aprendi a fazer escolhas certas, mas muitas vezes também errei. Descobri que nem todo mundo queria o meu bem, mas soube perceber quem queria fazer apenas o bem!
Aprendi que o luxo é bem melhor que o lixo, porém, como estilo de vida escolhi a pobreza, nem luxo nem lixo. E, por falar em lixo, aprendi também que não é necessário carregar resíduos para o resto da vida; causa só sofrimentos e mágoas.

Percebi que nem tudo dura sempre e que aproveitar o hoje é bem melhor do que sofrer o amanhã. Contaram-me que príncipe encantado, país das maravilhas, fadas madrinhas e pai natal não existem, mas que sonhos se realizam sim, basta acreditar! Por isso acreditei e estou aqui hoje a contar essa história para vocês.

«A vida ensina, mostra, guia, aprova e reprova», já dizia minha pobre mãe, depois falarei dela. Mas foi errando que aprendi o que é certo, o que é cheiroso, o que é colorido, o que é belo, o que é moral e imoral. Nada nem ninguém poderá roubar minha identidade, nem deitar fora minha felicidade.

Sei porém que ainda tenho muito o que aprender, mas hoje sei o caminho que tenho que seguir!

Compartilho esta canção do Padre Zezinho, ouça-a. Devemos ser cidadãos do infinito, que levamos a paz no nosso caminho.


A história continua no próximo capitulo… Até logo…

João Batista